
No ano de 1995 estava eu conversando com um amigo em Fort Lauderdale,
na Flórida, e pela primeira vez ouvi falar em quiropraxia. Ele me disse que estava estudando para ingressar na universidade
e se tornar um doutor em quiropraxia. Em tom de piada eu perguntei: “Quiro
o quê? Pra que serve isso? É pra beber ou pra passar no corpo?”.
Ele, embora irritado comigo, me deu uma explicação sobre
o que era aquilo.
Os anos se passaram e muita coisa mudou. Casei, eu e minha esposa tivemos
um filho, e logo após o parto, ela foi acometida
de intensas dores na região lombar. Lembrei-me das explicações
do meu amigo, anos antes, e a levei num quiropraxista na Flórida.
As dores foram embora, ela melhorou e eu fiquei impressionado. Pesquisei
muito sobre o assunto, e parece ser ironia do destino, mas resolvi voltar
a estudar e depois de algums anos, terminei meu doutorado em quiropraxia.
Hoje em dia, tenho recebido dezenas de pacientes desiludidos e irritados
com os problemas de saúde com os quais eles convivem. Frustrados
pelo fato de já terem tentado tudo para melhorar, mas aquela “maldita
dor não vai embora”. Eles chegam desabafando e derramam desapontamento
ao mencionar o tempo de convivência com o problema que os trouxeram
ao meu consultório. Sinto que alguns deles chegam tão frustrados
e desesperançosos que só faltam perguntar “Pra que
serve isso? É pra beber ou pra passar no corpo?”. Dois desses
casos me chamaram bastante atenção e vou aqui narrá-los
em poucas linhas. Espero fazer jus aos fatos ao retratar e descrever as
emoções que presenciei, pois eram pessoas com problemas,
personalidades e experiências diferentes, mas que dividiam uma desilusão
e frustração por igual.
Num certo dia recebi a Sra. D.J.S., de 38 anos, que convivia com uma dor
nos ombros tão intensa que até mesmo os seus cabelos, ao
tocar na região entre os ombros e o pescoço, causavam dor.
Ela precisava deixá-los presos constantemente. Após diversos
tratamentos e tentativas de melhora, ela veio para ser tratada através
da q uiropraxia
e foi sincera em me dizer: “Não tenho mais fé em tratamento
nenhum. Estou aqui, pois minha cunhada irá pagar meu tratamento.
Mas na verdade, nem sei pra que serve isso aí que o senhor faz!”.
Fiquei chocado com tanta franqueza e dei uma parada para respirar, mas
consegui controlar meu estado de espanto e, após a consulta, iniciamos
o tratamento. Para encurtar a narrativa, após quatro semanas de
tratamento, a Sra. D.J.S. agora usa os cabelos soltos, não tem
mais dores nos ombros e possui uma qualidade de vida melhor. Quando ela
retorna para fazer o check-up da coluna, sempre brinca comigo dizendo:
“Desculpe-me por ter sido tão brava no primeiro dia”,
e sorri.
Outra paciente, M.J.C.M., 35 anos, durante a consulta, me perguntou meio
tímida e com voz baixa: “Doutor, será que isso funciona
mesmo?”. Achei engraçado seu tom de voz, mas respeitei a
sua pergunta e entendi que por trás daquela voz meio sem graça
estava uma pessoa sem esperanças, em razão do problema com
o qual era obrigada a conviver. Durante anos ela sofreu com dores lombares
muito fortes que faziam com que ela vivesse diariamente em estado de dor.
Começou o tratamento e depois de algumas sessões eu a vi
chegar ao consultório muito sorridente e perguntei: “Como
vai?” Ela me respondeu: “Eu consegui dormir a noite toda,
coisa que não fazia há muito tempo!”.
Um dia desses, me peguei pensando e comparando esses dois casos: duas
pessoas tão diferentes, com problemas diferentes, mas que dividiam
um mesmo alvo, chegar a um patamar de qualidade de vida melhor. Não
nego que me senti sem palavras, ao encarar esses dois pacientes, pois
as frustrações eram iguais, embora expressadas de maneiras
diferentes. Elas me fizeram sentir como se estivessem perguntando “Pra
que serve isso? É pra beber ou pra passar no corpo?”.
Afinal, qual seria a resposta correta para o título-pergunta? A
quiropraxia é reconhecida pela OMS (Organização Mundial
da Saúde), como uma das principais profissões na área
da saúde para avaliar, tratar e prevenir problemas relacionados
à coluna vertebral e sua influência sobre o organismo em
geral.
Conclusão: Não é pra beber ou passar
no corpo, mas é para fazer bem a todo o organismo!
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